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RIBEIRO COUTO
Rui Ribeiro Couto (Santos, São Paulo, 12.03.1898 - Paris, França, 30.05.1963).
Foi poeta, contista, romancista, jornalista, magistrado e diplomata. Para acessar biografia e bibliografia de Ribeiro Couto, clique aqui. Revista - MAGIS CULTURA MINEIRA (março de 2009). Leia a reportagem completa aqui.
Conversas de vida inteira de Ribeiro Couto e Bandeira ... Durante os anos 20 do século passado, no auge do movimento modernista, Ribeiro Couto viveu a maior parte do tempo em várias cidades do interior de Minas e São Paulo, onde exerceu os cargos de delegado de polícia e promotor público. A distância motivou uma vasta correspondência entre os poetas, que se encontra na Fundação Casa de Rui Barbosa. Foi reunida por mim, em volume ainda inédito, cujo título - Pouso Alto, o nome de uma dessas cidades - é glosado por Bandeira em uma das carta de 25 de agosto de 1925: ''Couto: Pouso Alto é um nome estupendo. Parece nome de ninho de águia. Pouso Alto. Absolutamente sereno. É um programa.''
A correspondência endereçada a Couto foi mais bem preservada: são 170
cartas de Bandeira e somente 18 cartas de Couto, entre 1919 e abril de
1929. Durante esse período, inicia-se e consolida-se a carreira literária
de Ribeiro Couto e foram escritos ou publicados os dois volumes mais expressivos
da poesia de Manuel Bandeira: Poesias (com ''A cinza das horas'', ''Carnaval''
e ''Ritmo dissoluto''), em 1924, e Libertinagem, com poemas de 1924 a
1930, publicado em 1930 ... Vemos também, na primeira carta enviada da Europa por Ribeiro Couto ao amigo e que finaliza a parte da correspondência tratada aqui. Dela, eu desentranhei à maneira de Manuel Bandeira, esse poeminha: "Ribeiro Couto tem sempre na
alma o Brasil ou Pouso Alto. Poeta foi revelado ao país que o ignorava por Ribeiro Couto
* A casa está situada na Avenida Haroldo Russano, n° 56 mas, não é mais cor-de-rosa, como se vê na foto acima. Um outro episódio, em que Bandeira ignora uma sugestão de Ribeiro Couto, ilustra, pelo menos aos nossos olhos de leitores no futuro, a habilidade criteriosa do poeta ao selecionar os elementos que compõem um poema. Em 21 de setembro de 1925, Ribeiro Couto escreve de Pouso Alto os seguintes comentários: Tratava-se, no caso, de O Anjo da Guarda, escrito em memória à Maria Cândida de Souza Bandeira, irmã de Manuel Bandeira: O Anjo da GuardaA observação é irritada, impaciente. A recomendação é enfática. E no entanto, a quebra introduzida pelo verso - uma sentença (reforçada pela presença de um parêntese) no pretérito imperfeito, em meio a uma narrativa toda ela no pretérito perfeito, vem a trazer um elemento de complexidade ao poema. Sem aquele verso, ele seria uma manifestação da resignação triste, tingida pelo humor melancólico de um irmão diante da morte da irmã. E não seria mau. Com ele, que traz uma conotação inconclusiva, uma nota de meditação e de irresignação, fica incluído, sem prejuízo dos outros significados, a idéia da perplexidade e de insubmissão do poeta face à morte. O amor do detalhe, o olho para a pequeneza que transforma o sentido e empresta gozo e importância à "coisa sem importância mesmo" é a marca da poesia de Bandeira. Encanta-lhe surpreender e ser surpreendido nesses achados. Por exemplo, ao saber por Mário de Andrade que um maneirismo que lhe havia passado desapercebido tem um valor particularmente expressivo: Comoveu-me a observação dos diminutivos. Depois que adoeci tudo que era meu ou para mim levava diminutivo da minha mãe: o leitinho de Nenê (era assim que me chamava), o copinho de Nenê, etc. Como vê, está no sangue. Concordo [...] com você, que a minha imaginação é fraca e convencional em concepção. Valho mais pela expressão. Durante a sua estadia no interior, Ribeiro Couto acumula as suas atividades como delegado de polícia ou promotor público com a prática de advogado da roça, da qual dá notícias periódicas a Manuel Bandeira:
Ribeiro Couto
Manuel Bandeira
Estrela da manhã
Eu quero a estrela
da manhã Ela desapareceu
ia nua Digam que sou um
homem sem orgulho
Girafa de duas cabeças
Com os gregos e
os troianos Depois pecai comigo Te esperarei com
mafuás novenas cavalhadas |
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